segunda-feira, março 20, 2006

aceitar

"... um dia (não sei quando) disseram-me que entre o possível e o impossível se encontra a vontade do Homem... ao longo da vida, todos os momentos que eu vivi, foram momentos impossíveis de viver (porque a própria vida é um milagre e eu não acredito em milagres mas em causas que provocam consequências) mas como foram vividos, logo a impossibilidade tornou-se possível... ao longo da vida verifiquei que tudo o que me era dado vivenciar não havia sido "criado" por mim mas apenas estava ali e eu o vivia, eu o sentia, eu fazia parte desse momento... ao longo da vida eu fui verificando que tudo é complicado e ao fim e ao cabo tão simples pela simples razão que somente a simplicidade é autêntica, ou seja, olhar à nossa volta e sentir que tudo o que nos cerca é natural, normal, vida em si mesma, sem ornamentos nem floreados... não somos nós que estamos a enfeitar a vida porque as flores já existem... não somos nós que estamos a perfumar os ambientes porque os odores já circulam à nossa volta... não somos nós que descodificamos os códigos, os códigos já não são enigmas, os enigmas já não são complicados porque tudo é tão simples de entender, tudo é tão simples de vivenciar... nada é impossível, portanto, tudo é viável, basta aceitar..."

18 comentários:

Mitsou disse...

E a primeira aceitação é aceitar esta verdade :)

Beijinho doce e boa semana

Catarina Morgado disse...

Para cabeças tão complicadas quanto as nossas torna-se infinitamente complexo que tudo o que nos rodeia possa ser simples...É uma ideia assustadora!

Precisamos do complicado para nos dividirmos, para parecer que há sempre dois lados e que devemos, então, escolher um, apenas um dos lados da barricada!

E tudo podia ser tão mais simples...

andorinha disse...

Gostei de ler, Quim. Tens uma sabedoria muito própria que encanta.
Beijinhos e boa semana.:)

luis manuel disse...

São coisas simples que nos permitem viver em harmonia.
Valorizar essa simplicidade como uma riqueza imensa é que não se ajusta a certos comportamentos que convenientemente nos querem estabelecer nos dias de hoje.
São palavras assim que vão marcando a diferença necessária.

Um abraço, simples. E imensamente fraterno.

Cakau disse...

Sempre defendi as coisas simples. Mas sei o quanto é dificil ter controlo sobre as nossas ideias. Defender é uma coisa, vivê-las é outra completamente diferente. Mas vale a pena lutar por elas.

Beijos *

Catarina Morgado disse...

Está aqui a faltar qualquer coisa, não está???

Já sei! É a Primavera!

Mas afinal, a nossa Primavera não merece uma flor, lobices!!??

PS- Eu é que agradeço a visita...as respostas à minha pergunta foram bálsamos!!

Daniela Mann disse...

Muito obrigada pelo comentário lindissimo que me deixou! Superou o meu post!
Mais uma vez, muito obrigada!
Um abraço apertadinho e a continuação de uma semana feliz!
Daniela Mann

dulce disse...

Vim ler-te e deixar-te um abraço.

zé das loas disse...

belo texto de um intimismo surpreendente e um tanto "desamparado"...

à aceitção, prefiro as escolhas que comprometem ...

abraços

lazuli disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Carlos Tavares disse...

Hoje o Micróbio faz anos... :-)

Pamina disse...

Olá Quim,
Como sempre, ditas por ti estas coisas da vida parecem mesmo simples.
Bom resto de semana. Um beijinho meu e um abraço do Viktor.

BlueShell disse...

Hoje é dia de deixar abraços apertados, BShell

Musician disse...

Sim, verdade verdadeira!
So que neste mundo cada vez é mais dificil aceitar e compreender! :(
Um beijo*

mtc disse...

"...tudo é tão simples de entender, tudo é tão simples de vivenciar... nada é impossível, portanto, tudo é viável, basta aceitar..."

Tudo será simples... basta aceitar e querer :)

PS: Já inaugurei o meu cantinho:)

Um bom fim de semana
:)*

Anónimo disse...

Saber aceitar é uma caracteristica que muitos não possuem,é mesmo rara actualmente .Sendo assim é muito agradavel ler o seu texto .Afinal aqui bem perto :) vivem outros que tb aceitam a vida como algo simples.bjs e bom domingo. annie hall do outsider

Isa&Luis disse...

Olá bom dia, passear no teu cantinho foi um passeio primaveril, repleto de varios aromas bons.
O texto mostra-nos a beleza da simplicidade e no acreditar, em como podemos mudar.

Uma boa semana para ti

beijos

Isa

veneziana disse...

As coisas acontecem sempre no tempo do próprio tempo.
Esta é a mior verdade de todas. Se não aconteceram era porque, certamente ainda não era tempo.
Amigo, pense nisto e tenha um óptimo fim de semana.
Olhe a natureza, com a sensibilidade que lhe vejo - muita.
Repare: já viu a natureza apressar-se?
Há muitos anos, na minha primeira viagem de Mãe, ansiosa, perguntei ao pediatra da minha filha quanto tempo a devia deixar ao peito. Ela tinha um ritmo lento, mamava e dormia, era tão absorvente que pegava uma mamada com a outra. Eu jovem mãe apressada, não percebi ... outros bebés que eu conhecia, mamavam apenas 15m em cada peito ... a minha mamava HORAS... era muito complicado, dia e noite. O médico, um pediatra muito sábio, olhou-me nos olhos e disse-me tranquilamente: "Veneziana, olhe a natureza - observe! Já viu uma vaca ou uma ovelha de relógio em riste quando amamento?".
Fiquei atónita. No primeiro impulso, senti-me "gozada", mas de imediato atingi a dimensão do que me estava a ser dito! As coisas acontecem sempre no tempo do próprio tempo, e a minha filha tinha ritmos diferentes! Aceitei a diferença e ainda hoje sinto a saudade dos meus seios massacrados por tantas horas na sua boca pequena. São momentos indistritiveis, de partilha, de afecto, de ternura. Voltaria a dar-me desta maneira, a uma criança. Mas o relógio biológico diz que o tempo é de dar-me a muitas ... numa gondola infinita de abraços.
Pense no que lhe conte, amigo, e retenha o essencial. Ou melhor o que quiser.
Estou sempre por aqui.
Venexiana, contadora de histórias