sábado, janeiro 22, 2005

fica

...Porque me persegue o desespero da espera que se esvai num grito de angústia que do peito ferido me sai?... Porque me persegue o desespero da fuga do grito que abafo no peito dorido como num forte abraço de dores sentidas e muitas vezes fingidas?... Pintadas de espaços vazios em salas desertas de amores perdidos e de certezas incertas; de fugas para a frente em direcção ao passado de um futuro que não vejo nem antevejo, nem anseio, nem prevejo e nem mesmo assim o receio...
Porque me persegue o desespero da espera que se esvai num grito de fúria incontida que de um peito ferido me sai?... Porque me persegue? Porque me segue? Porque vem?
Fica, deixa-te ficar... Não venhas ter comigo nem que seja apenas para sonhar...

3 comentários:

simplesmente Maria disse...

Queria conseguir o dom de fazer brotar palavras lindas como as flores que vão crescendo neste jardim... palavras lindas como as paisagens que meus olhos aqui observam... palavras lindas como a beleza de tudo o que até agora li neste blog... mas só consigo que, desta nascente seca que é a minha criatividade actual, brote somente esta simples palavra: LINDO!
"Amar é o caminho", diz! Sim... mas acrescento que "sempre encontra errado o Norte quem tem o amor por rumo"... o Amor perde-nos... o (des)amor seca todas as fontes da vida... da alegria... do sentirmo-nos em estado de graça... da força que sempre foi meu apanágio...
Parabéns, continue usando a sua força!

lobices disse...

...olá Maria (simplesmente): obrigado pelas tuas palavras... dizes: "perde o norte quem tiver o amor por rumo"... correcto; mas, na verdade, não tenho o amor por rumo mas sim o amar... é diferente o "amor" do "amar"... o amor é um sentir, o amar é uma acção, por isso, um caminhar, um percorrer, um contínuo percurso que cada um de nós deveria fazer; a "amor" sente-se em algumas "paragens" desse percurso mas que nunca se perca (aí) o tal norte e que se continue sempre na busca, na demanda, na procura... e só mesmo existe uma forma: amar!...

Mitsou disse...

Gritos abafados que só nós mesmos ouvimos e, por isso, tanto magoam. São eles que fazem brotar as gotas cheias de nada que nos acendem o olhar apagado. Mas são essas gotas, tão cheias de nada, que também desvelam o tudo que em nós se esconde. :)*