segunda-feira, agosto 28, 2006

estatuto

"... havia apenas um silêncio todo ele verde formado por árvores frondosas, um cheiro a erva, a pinheiro, a eucalipto e o marulhar de um riacho com o bater compassado da água nas pedras soltas do seu leito... o silêncio também tinha asas; eram os pássaros que não distingo as espécies, um milhafre e quem sabe talvez uma águia... era um silêncio que também possuia a qualidade de ser tocado, bastava para isso, abrir os braços e inspirar fundo a plenos pulmões e sentir o seu abraço dentro do corpo beijando a alma... era um silêncio feliz porque me fazia sorrir e cerrar os olhos para o ouvir... um silêncio que também se via mesmo sem o olhar... o silêncio puro, alvo, cristalino, todo ele formado de muitas coisas que o tornavam único... tê-lo ali comigo era uma espécie de bênção e senti-lo ainda me provocava mais prazer... deixei-me ficar, ali nele deitado a usufruir a sua existência... de olhos fechados sabia-me fazer parte dele... senti-o penetrar-me devagar com suavidade e deixei-me embalar numa canção sem acordes mas que me deixavam perceber o porquê de tudo... ali, uma só molécula e eu fazia parte dela... um só mundo... um só ser... o sagrado estatuto de viver..."

14 comentários:

Cinda disse...

Lindo!
Obrigada pela sensação de paz e tranquilidade que o teu magnífico poema em prosa nos transmite.

Beijo doce :)*

michaeldiary disse...

Um poema muito bem escrito.

luci disse...

ontem, precisamente, vivi algo bem semelhante!abraço

Alba disse...

Que momento pleno tão bem retratado! Sabes, consegui escutar a paz e envolver-me nessa imensa luminosidade. Adorei!

Anónimo disse...

Ao ler este texto ,um pedaço de céu desceu sobre mim .

Um beijinho

Carlota Joaquina

RPM disse...

Amar é o caminho... Que belo lema de vida, que filosofia de Jesus Cristo há 2000 anos... Se conseguissemos materializar essa doutrina e práxis política não haveriam guerras, fome, sida, etc... parece utópico dizer isto, mas se pensarmos bem... se todos cedessemos naquilo a que hoje resistimos tudo seria diferente...

Até lá - continuo a pensar que todos somos uns animais, o homem lobo-do-homem como dizia o Thomas Hobbes, e só a cultura rasga esse caminho, o problema é que o acesso à cultura coloca préviamente outras guerras que nos tiram o amor...

Tudo, afinal, nos parece subtrair ao amor enquanto modo geral de vida em comunidade, temos muitos caminhos, mas tb muitos escolhos e cruzamentos perigosos neste permanente carrefour que é VIVER

Um abraço
Rui Paula de Matos

Lótus disse...

É o meu tipo de silêncio .. sem dúvida ... e tu deste-me asas para chegar até ele através destas maravilhosas palavras ... senti a paz desse silêncio! Beijos ***

donadenada disse...

Continuas a deliciar-me com as tuas palavras de paz e amor!
Já não passava neste cantinho à tempo demais...
beijos!

Sulista disse...

Amigo, já agora,
e o cheiro a terra molhada quando molhada?? Hummmmm...que delícia!

Beijinho GRANDE
Balé! ;-)

Sulista disse...

eia lá! enganei-me...repeti-me na 'molhada' mas é para dar mais enfase à questão ;-)

margusta disse...

Um texto muito LINDO, que com a musica de fundo me transmitiu uma grande PAZ!...
Obrigada por este momento...
Um beijo!

Nina disse...

:D...bom fim de semana lobo

Paula Raposo disse...

Lindíssimo!

Jânia disse...

Cheguei aqui por acaso. Mas que presente este lugar encantado. Suas palavras encheram de magia meu espírito. Obrigada por existir! Obrigada por construir este espaço! Obrigada aos deuses da tecnologia que me trouxeram até aqui. Obrigada! Do fundo da alma. Muito amor! Beijos no coração. Jânia