quarta-feira, abril 06, 2005

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...às vezes as páginas em branco assustam-nos e não sabemos o que escrever...
...um dia deram-me um livro que tinha algumas páginas em branco e pediram-me para lá deixar uma mensagem...
...assustei-me porque tinha espaço demais para escrever uma mensagem, mas escrevi...
...o que escrevi foi assim:
.
"...Que dizer perante duas páginas em branco? Que dizer em frente do nada que me domina e me arrasta a escrita para duas páginas em branco... Dizer que sinto as palavras que me transportam para além da vontade de escrever... Para além da vontade de dizer o que sinto na presença de duas páginas em branco... Dizer que penso e não actuo ou que actuo e não penso... Dizer que procuro e não encontro a não ser duas páginas em branco... Mas elas se preenchem com as letras que me saiem lenta e pausadamente do meu ser e do meu estar perante estas duas páginas em branco... Que me dizem elas, sejam elas o que quer que sejam, senão que as duas páginas em branco estão a acabar... O espaço escasseia e o tempo passa e nada mais me sai da mente para escrever nestas duas páginas em branco... Um branco de luz, de paz, e de muito amor...Quim..."
.
...e as duas páginas em branco deixaram de estar em branco...
...a escrita surgiu apenas na necessidade de encher o vazio...
...será que comunicamos por sentir que existe esse vazio?

13 comentários:

Mitsou disse...

Todos nós temos de preencher essas páginas em branco. E nem todas são de papel. Adorei, Quim. :)*

trintapermanente disse...

obrigada pelas tuas simpaticas palavras

Bastet disse...

A necessidade de comunicar nestes tempos actuais de solidão faz prosperar os blogs. São as nossas páginas em branco, as casas que arrumamos como sabemos para que nos visitem. Gostei muito da tua casa e espero que continues a visitar a minha. :)

PortoCroft disse...

Quim,

Se assustam. Sobretudo quando há aquela pressão no sentido de as preencher.

Mas, como lá dizia o 'tio' da outra:

Enquanto houver punho e caneta, nenhuma página em branco me atormenta. ;)

Abraço.

andorinha disse...

Comunicamos não apenas para prencher um vazio, mas também porque gostamos de ir fortalecendo os laços que vamos criando.
Quando a página fica preenchida não é uma sensação boa?!
E como tu as sabes preencher:)
Obrigada por existires.
Beijinho

Paulo Lopes disse...

A pressão de escrever algo por imposição só é comparável à fluidez de escrever espontaneamente...

Assur disse...

Sabemos bem o que é isso. Especialmente quando somos obrigados a escrever aquilo que não nos vem à ideia. Por falar nisso, há duas semanas que não conseguimos acabar certo trabalho e já começa a chatear. Ainda por cima com prazo.

Anónimo disse...

Comunicamos... tornamos comum, porque nos está intrínseco. Porque exteriorizar é importante. Porque assim nos damos. E damo-nos não ao vazio, mas a algo ou a alguém. Se pensarmos em termos abstractos, talvez o vazio tenha lugar, mas mesmo assim não o é, na medida em que o próprio abstracto é alguma coisa. Tal como o vazio. É em si. É alguma coisa que nós complementamos com o que é proveniente de nós.
Quanto ao que escreveste... complementaste bem as páginas em branco que te desafiaram. O facto de elas serem-não sendo, comunicaram e permitiram-te também comunicar. Ambos tornaram comum. Algo comum. A mensagem.

Beijo grande,

Sandra
(http://www.void.weblog.com.pt)

Tão só, um pai disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Tão só, um pai disse...

Dêm uma folhita branca a uma criança ... é magia ...

"Despojos

A folha de papel tem formas, outras, para além da bola que, nem sempre, entra no caixote do lixo. Mas a tua folha de papel tinha sempre muito, fossem letras, ou não. Bem dobrada, era um grande segredo. Aquela, desenhada, tem o teu coração, recordação, um desejo puro, uma ode, onde o teu sorriso escreveu “és o meu melhor pai”. Aquela folha, não tem papel. É o cofre da minha vida. Eu, agarro-a, enquanto choro, junto do coração, onde tu puseste o teu, para o juntar ao meu. Explicaste, esta sou eu, este tu, a Mãe e o Mano, com um chicoração. E eu agarro-te, assim, àquela folha, desejando que sintas que te sinto, e quero, muito, apertada a mim.

Quarta, 9 de Março de 2005 "
http://taosoumpai.blogspot.com/2005/03/despojos

E ... só às vezes, o blogue me mata a solidão:

" ...
Não que a escrita me "resolva" o presente, ou o futuro. Nem o passado. Apenas a solidão. Às vezes, só às vezes. Pois, nem tudo tem que ter uma "resolução". Percebem? Solução.
..."

http://deondeteescrevo.blogspot.com/2005/04/xicolgico-xicorao.html

Ale (mestressan) disse...

Caro senhor,

Também tenho um blog e gostei do seu. Peço-lhe permissão para por um link do seu blog no meu! Grato (Ale)

LUA DE LOBOS disse...

como eu te entendi... é o mesmo sentimento frente a uma tela branca ::))
xi
maria

MarPuro disse...

O vazio não existe, ou pelo menos não pode ser visto, sentido, ou apercebido, pois, ao sê-lo, já deixou de ser vazio e passou a ser o objecto de nossa visão, o objecto de nosso sentir, ou o objecto de nossa precepção. Nada é nada... e como do nada, nada se faz, o nada não existe, porque já existem muitas coisas feitas.
No meio do vazio infinito surgiu um grão de poeira (não interessa como surgiu): todo o vazio deixou de o ser, pois, com aquele ponto de referência, todo o vazio passou a ser espaço. Aquilo a que nós chamamos de vazio é o que está entre duas existências e é o que faz com que as identifiquêmos como coisas individualizadas... só que não é vazio, mas espaço... por isso eu digo que o nada não existe. É somente uma ilusão, uma memória do tempo em que não existiamos e não havia coisa alguma para para ser lembrada.

Dualeto

www.marpuranima.blogspot.com