domingo, março 27, 2005

ressurreição

...no seu blog, o Prof. Júlio Machado Vaz, colocou hoje um post do qual destaco em itálico a sua parte final, com a qual estou inteiramente de acordo:
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"...Não quero simplesmente estar vivo, mas ter uma vida. Aceito, com gratidão!, todas as máquinas e artifícios terapêuticos que me ajudem a gozá-la, esculpi-la, vivê-la. Mas não quero ser um mero apêndice de visores, tubos e agulhas. O progresso da tecnologia não deve beliscar o respeito pela dignidade de cada um, defendida e decidida pelo próprio e não sujeita à ditadura de outros. Seguramente bem intencionados, mas impondo uma visão das nossas pequenas vidas decorrente da sua ideologia sobre "A Vida". A minha vida pertence-me. Tentarei vivê-la de cabeça levantada e costas direitas até ao último instante, mesmo que para tal deva antecipá-lo. Já o disse e escrevi muitas vezes: tenho horror à hipótese de sobreviver a mim próprio. Afinal, à minha vida humana..."
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...numa situação de doença grave terminal dolorosa e onde eu não possa dispor da minha "vida", prefiro um fim digno e, quem sabe, se não glorioso, do que estar sujeito à maquina que me torna num vegetal mesquinho...
...não se trata de um "direito" a matar quem quer que seja; trata-se se um direito individual de dispôr da sua qualidade de vida, trata-se, em última análise, do direito a morrer...
...e para quem se refugia nos dogmas da catolocidade, eu diria que Jesus (filho de deus) Escolheu morrer e se Ele teve o "direito" a escolher o momento da Sua morte, porque não terei eu, Seu filho, o mesmo direito?...
...apêlo à possibilidade do mero suicídio? Não, de maneira alguma; apêlo apenas ao direito de uma morte com dignidade...
...serei capaz de a pedir para mim; mas, na verdade, não sei se serei capaz de a conceder a outrém... que os homens que têm acesso às leis e às máquinas, que os homens que têm acesso ao julgamento dos direitos e dos deveres, não julguem os outros mas coloquem-se somente no lugar do doente em dor terminal...
...em dia de Ressurreição, falou-se de Morte...
...talvez a Morte seja um novo Nascimento para algo que ainda não queremos admitir poder existir...
...talvez a Vida seja a própria Morte e esta nos conceda de quando em vez um intervalo para cá estarmos neste corpo a viver uma experiência para acumularmos os conhecimentos a caminho da sabedoria, a caminho da perfeição...

4 comentários:

Mitsou disse...

Assino por baixo. Beijo grande

Ana disse...

Concordo inteiramente, Quim.
Nada temos de nosso a não ser a Vida. Nada nos pertence mais, nem os bens materiais, nem os afectos, e muito menos aqueles a quem amamos mas não devemos tentar possuir. Só a Vida nos pertence, mesmo nunca a tendo pedido é nossa.
Devemos tentar conservá-la, vivê-la em todo o seu esplendor. Mas uma vez que deixe de ser Vida, só nós temos o direito de decidir quando ela deixa de fazer sentido.
Obrigada , Quim, por teres trazido este tema actual e que nos pode tocar a todos.
Um beijo.

TMara disse...

Concordo. A eutanásia é um direito.Bj

Blue C. disse...

Não podia estar mais de acordo. A morte é, em muitos casos, um alivio. E não há máquina que te possa fazer Viver, com "V" maiúsculo. Um beijinho grande