quarta-feira, maio 25, 2005

irrealidade real

"...o dia passa envolto em realidades; as coisas cercam-me e absorvem-me ou eu mesmo as absorvo; tomo-as como minhas ou elas mesmo me tomam como delas... surgimos frente a frente e iludimo-nos mutuamente; porque eu sou apenas mais uma das muitas realidades que a realidade me presenteia... não existem personagens, só coisas reais, protagonistas que vivem o ser algo num determinado momento... por isso, deixo passar o dia; pretendo que a noite chegue rápida e segura... a única oportunidade de poder criar as minhas personagens; a única vez em que o real deixa de existir e o sonho comanda o que sou e quem sou... o sono não demora a chegar e com ele a minha paixão se satisfaz: criar!... Então, todo eu deixo de ser o que sou e como sou e passo a ser o que não sou... as minhas personagens vivem outras vidas e no sonho me realizo porque a realidade do real não mo permite... deixo-me absorver na totalidade por todas as personagens que consigo criar e deixo de ser tudo o que sou; passo a ser o que não sou, talvez quem sabe o que sempre desejaria poder ser... bendito sono que me torna, na verdade, o que desejo ser... mesmo que isso seja apenas o pedaço de um sonho!..."

7 comentários:

Mitsou disse...

E quando transferimos para o sono o sonho que sonhamos acordados? Qual deles será o mais ilusório? Ou o mais real? :)**

marakoka disse...

... é qd não sei bem quem sou
e acontece-me tanta vez ....

"CRISE DE IDENTIDADE

Nesta altura da vida, já não sei mais quem sou.
Na ficha do médico, apareço como cliente.
No restaurante, sou freguês.
Quando alugo uma casa, viro inquilino.
Na condução, sou passageiro.
Nos correios, sou remetente
No supermercado, sou consumidor
Para a Receita Federal, sou contribuinte.
Com o prazo vencido, sou inadimplente, e se não pago, sou sonegador.
Para votar, sou eleitor; mas, no comício, sou massa.
Em viagem viro turista.
Na rua, caminhando, sou pedestre, e se me atropelam, viro acidentado.
No hospital, me transformo em paciente.
Para os jornais, sou vítima.
Se compro um livro, viro leitor.
Se ligo o rádio, sou ouvinte.
Para o Ibope, sou espectador.
No futebol, eu, que já fui torcedor, virei galera.
E, quando morrer, ninguém vai se lembrar do meu nome:
Vão me chamar de finado, extinto, defunto e, em outros círculos, até de desencarnado.

E o pior para o Governo eu sou um imbecil

E pensar que, no meu apogeu, já fui mais eu."

(autor desconhecido)

woelfin disse...

Sonhar propõe-me soluções para a vida...por isso sonho e esqueço a vida...e vivo a vida a sonhar...
e continuo a lutar pelo meu sonho...e se o conseguir concretizar...transformei o sonho em realidade...e verei que entre o sonho e o acordar...existe a palavra irrealidade...por isso, sei, sei que terei de ser real.

Bons sonhos
Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Pamina disse...

"A vida é sonho" escreveu Calderon de la Barca.
Enviei um e-mail com uma música para o yahoo. Recebeste?

O Portocroft está todo chateado porque os caracteres do blog dele ficaram "marados".
É uma pena. Havia lá poemas muito bons. Espero que ele não desista.
Beijinho

wind disse...

Abençoado sonho:) bjs

Raquel V. disse...

"a única vez em que o real deixa de existir e o sonho comanda o que sou e quem sou... o sono não demora a chegar e com ele a minha paixão se satisfaz: criar!"

Arre! Como sempre... bom de se ler...


Fez-me pensar nos sonhos/pesadelos que a minha mente "cria", e a minha vontade ao acordar, de escrever num bloco de notas o que vivi neles...

circe disse...

Sim, Marakoka, esta "crise de identidade" é uma pérola.

Navegar é preciso, viver...será preciso;)

Sonhar acordada é possível, sim ;)